Globales América - intoxicação alimentar

 



🤮 Não recomendo nem ao meu pior inimigo 🤮


Infelizmente, aquela que poderia ter sido a minha lua-de-mel de sonho, tornou-se num pesadelo que desejo conseguir esquecer e ultrapassar.

Com esta minha crítica espero poupar futuros hóspedes a tamanho medo e dor.

Sim hotel Globales, sou a hóspede do 836 e finalmente vos vou expor. 


Mas comecemos pelo início. O nosso voo atrasou-se e só conseguimos chegar ao hotel pelas 20:00 da noite. Além de ter tentado avisar o hotel através do booking, não tive resposta. Ao fazermos o check-in, fomos logo recebidos com uma tremenda ansiedade por parte da recepcionista, que não nos queria dar a chave do quarto, apressando-nos para que fôssemos jantar o quanto antes, pois o serviço terminaria às 21:30 em ponto, sem margem para sequer irmos ao quarto pousar a bagagem. Logo aí percebemos que o sossego que tanto ambicionávamos não ia ser o que encontraríamos. 

Nos elevadores do hotel, temos ainda papéis que nos lembram constantemente que, mesmo em férias, temos horários para cumprir , o que não torna a estadia agradável - mas isto não foi nada, comparando com o que nos aconteceu logo no primeiro dia.






No dia seguinte, após experimentar as pizzas da Pizzaria Snack Bar ao almoço, fiquei com diarreias de emergência, tendo passado uma tarde inteira enfiada no quarto. Nesse mesmo dia, ao procurar por opções secas ao jantar, cedo percebi que não as iria encontrar. O buffet não conta com opções saudáveis, mesmo o arroz é carregado de óleos. Bananas e snacks nem vê-los, nem no buffet/cantina, nem nos supermercados da ilha. A partir daí, resumi a minha dieta de “all inclusive” a batata assada e pão (note que a minha estadia foi de 7 dias!) - mas o meu testemunho, infelizmente não fica por aqui.



Ao segundo dia, na noite de comida asiática, o meu marido decidiu experimentar o sushi. Por sua vez, estando eu a comer apenas batatas assadas, por precaução e convencida que o problema tivesse sido apenas a fermentação da massa da pizza, não fiz nada para o impedir de se intoxicar com o sushi transpirado em calor (a comida não é corretamente preservada, como podem observar pela charcutaria que é apresentada no buffet, as fatias de fiambre estão sempre transpiradas, mijadas em água).

Em poucas horas, o meu marido apresentou sintomas como calafrios, dores musculares por todo o corpo, diarreias, vómitos e febre, o que o forçou a isolar-se no quarto (onde permaneceu por 4 dias até concluir a nossa viagem).


Sem saber o que fazer ou a quem recorrer, no terceiro dia fui à recepção pedir ajuda, tentando saber se teriam algum serviço de médico no hotel. A recepcionista (ruiva/loira de Europa de Leste) mal falava espanhol , quanto mais inglês, mas prontamente me tirou crédito quando mencionei a palavra “intoxicação”, trocando-a de imediato por “vírus”. Quanto ao serviço médico, apenas me disse que não têm serviços no hotel e que teria que pagar para chamarem um médico ao quarto ( disse-me ainda que rondaria os 85-100€).

Perguntei ainda se o hotel tem serviço de quartos, pois o meu marido não conseguiria sair da cama para fazer as refeições na cantina, ao qual me respondeu com a maior das naturalidades: se tu podes sair, podes ser tu a levar-lhe ao quarto.

Desta forma, perguntei se seria possível que fizessem pratos de dieta para ele, ao qual me responderam que sim e disseram que eu falasse diretamente com o staff da cantina.


Na cantina, falei então com o funcionário Jesus, o único de quem posso realmente dizer bem. Compreensivo, o Jesus apontou num papel o meu pedido para o almoço : arroz fervido.

O Jesus explicou-me que haveria um vírus no hotel e que passaria em cerca de um dia e acompanhou-me até a uma pequena sala no cantinho do lobby onde tem expositores de jóias e disse-me que iríamos falar com o Director.

Nessa sala, tive o desprazer de ver o Director achar-se mais esperto do que alguém com formação em medicina. Disse-me, entre factos e números, quantas pessoas o hotel tinha em lotação nesse momento e quanto era difícil que ninguém ficasse doente por haver pessoas com “estômago mais sensível” que outras, explicando ainda que as crianças por vezes engolem água da piscina e adoecem e que são coisas que o hotel não tem controlo sobre. Mais uma vez tiraram-me crédito, fingindo estar a ajudar-me, estava de facto apenas a tentar ver se me ludibriava e manipulava. No desfecho, disse que o recomendado seria comer maçãs, tomar chá de camomila e recomendou que o Jesus me oferecesse uma lata de Aquarius para levar para o meu marido. Saímos da sala e fomos em direção ao Café do hotel, onde o Jesus pediu um Aquarius aos rapazes do balcão e teve que lhes explicar que o Director teria dito que era para ser-me dada a lata.


Pela hora de almoço, voltei à cantina e dirigi-me ao Jesus, que rapidamente colocou a chefe de sala a par da situação e voltou com a notícia de que nenhum arroz fora feito em especial pedido, pois havia mais hóspedes doentes e, tendo isso em conta, o  Chefe teria feito arroz e estava exposto no buffet e poderia servir um prato e levá-lo. Em segundos percebi que o arroz exposto não era de dieta e sim o arroz de sempre, o carregado de óleo. Mas não levantei ondas e levei esse prato ao meu marido , que não o conseguiu comer. A minha vontade de comer era nula, pela situação de ansiedade que estava a viver ao ver o meu marido doente e ao sentir desconfiança pela comida do hotel, também eu ainda magoada pela porcaria da pizza do dia 1 e o pior, o cheiro da cantina repercute-se por todo o hotel, elevadores inclusive - e o nosso piso era o 8! 


Ao jantar, sendo que o Director estava informado da intoxicação do meu marido, pedi uma garrafa de água na cantina, confiante de que, sendo eu uma cliente All Inclusive e sendo que nem eu nem o meu marido estávamos a desfrutar do buffet, nos seria oferecida, mas nunca foi. Como se sabe, a melhor arma para combater a intoxicação alimentar é beber muitíssima água, e cada garrafa me custou 2,60€.

Nesse jantar apenas levei pequenos pães para o meu marido.




No dia 4 o meu marido acordou com vómitos espontâneos que não conseguia controlar e, visto que ele já estava mal há mais de 2 dias, decidi ir à recepção.

Ao falar de novo com a recepcionista de Europa de Leste, percebi que a vinda de um médico se concretiza com ele a dar duas injeções aos pacientes. Decidi falar com o meu marido, para saber se valeria a pena chamarmos um profissional. Assim que tive confirmação, tentei ligar do quarto para a recepção e o telefone do quarto não tinha conexão, pelo que liguei do meu telemóvel e a recepcionista me disse para ir à recepção. Convencida que teria que pagar o serviço médico, lá desci do 8 andar para ir à recepção, onde a funcionária simplesmente precisou de me ver para pegar na porra do telefone e ligar a um médico. 

Em meia hora o médico chegou, concluiu que o problema era uma gastroenterite viral (que curiosamente nunca me contagiou) e administrou 2 injeções no meu marido - uma delas Hioscina, altamente provocador de delírios. O médico passou-me ainda 3 receitas e explicou-me que deveria apanhar um bus para Manacor, pois a farmácia mais próxima estava fechada por ser domingo. Ao contrário do que me fora dito, esta vinda do médico ficou por 220€ e teve que ser paga em género. 

Nesse dia, o meu marido não comeu e teve delírios.




No dia seguinte, volto à cantina para pedir bananas, que inicialmente me tinham dito eu não tinham, mas me deram duas. Voltei a pedir que o almoço fosse feito de dieta: arroz fervido e bifes de frango grelhados. Tomaram conta do meu pedido.

Ao almoço, dirigi-me a um dos funcionários, expliquei o meu pedido e o prato foi feito na hora e levei para o meu marido, para tristeza, a comida estava totalmente crua e, mais uma vez, o meu marido só comeu bananas e pão.

Ao jantar, decidi ser mais exigente e expliquei que os bifes deveriam ser bem passados, não fosse alguma bactéria facilmente voltar a entrar no organismo. 

O chefe trouxe-me o prato, carregado de desconfiança por mim no seu rosto. Dei um golpe na carne para perceber se o prato estaria em condições para o servir a alguém doente e estava completamente crua. Chamei um funcionário da cantina (baixo, nos seus 40s, barba aparada) e pedi o favor de pedir ao chefe de cozinha que passasse melhor a carne. O prato voltou para trás e voltou com novos bifes, desta vez fritos em vez de grelhados. Ao abrir, notei de novo que não estavam cozinhados, pelo que pedi diretamente ao chefe que por favor os cozinhasse melhor. A sua resposta foi um GRITO em espanhol, que eu mal percebi. Quando regressou, disse-me que o bife de frango fica seco se for muito cozinhado. Pelo que me senti na necessidade de pedir desculpa e explicar que a comida é para alguém que está infetado há 3 dias, sem comer nada. 

(🥩 Foto do bife cru em anexo)





Nesse dia decidi ir à farmácia local comprar solução de hidratação, para não ter que estar sempre a gastar 3€ em Aquarius , sendo eu cliente all inclusive.


Escusado será dizer que eu mesma deixei de comer, estava constantemente mal disposta com os cheiros da comida. As opções eram todas oleosas, mesmo as massas em cozinhadas em manteiga, não havia sabores naturais. A água sabia a água de piscina, pelo que deixei totalmente de comer e beber , apenas bebíamos água de 2,60€ engarrafada, comprada em terminal de multibanco na cantina 

(🧾 Fotos de alguns recibos em anexo - escusam de dizer que o hotel oferece água nos quartos, pois as duas garrafas pequenas que nos ofereciam não eram suficientes para curar uma intoxicação alimentar)

Apanhei ainda vários hóspedes a relatar as mesmas dores e suspeitavam mesmo que fosse da água. 


Até ao final da estadia fomos mantendo-nos vivos com bananas e pão. O que mais desiludiu foi o facto de nos sentirmos abandonados, foi o total desprezo dos funcionários perante a doença. O riso dos funcionários da cantina cada vez que me viam, como se eu os estivesse a extorquir por pedir um bocado de comida de dieta.




Outra coisa que me desapontou foi ter perguntado 3 dias antes da nossa despedida do hotel, a uma recepcionista (negra, que falava francês e arranhava no espanhol) se poderia pagar por late check-out (33€) para sairmos do quarto apenas às 16 horas e ela me ter dito que bastava fazer esse pedido no dia da saída.

No dia da saída, disseram-me que só a partir das 9 horas e às 9 horas disseram-me que o nosso quarto já teria hóspedes novos nesse dia. Assim sendo, essa funcionária mentiu sobre a possibilidade de podermos sair mais tarde mediante este pagamento, tendo-me feito acreditar que seria um pedido fácil de realizar. Tirou-me o tapete dos pés a 2horas do check-out, tendo eu que expor o meu marido a sair do quarto onde teria mais conforto caso precisasse de usar a casa de banho. A mesma indicou-me que eu poderia reservar 15 minutos de shower room, mas não me soube explicar o que tinha esse quarto, que na verdade era só um banheiro com chuveiro.


No nosso último dia e uma vez que o meu marido não suportava o cheiro da comida da cantina (que parece de hospital) e sendo que o Diretor estava informado, fui buscar arroz fervido e os bifes grelhados à cantina e levei para o meu marido comer no café do lobby. Nem 2 minutos passaram e o senhor idoso com suspensórios começa a estalar os dedos desde o balcão para chamar-lhe a atenção que ali não se pode comer - mais uma situação lamentável que mostrou o desprezo pela nossa situação. 


Outras coisas que lamento:


Café : os funcionários atendem-nos como se fôssemos descartáveis, não nos olham nos olhos nem agradecem. Apenas servem ou dizem que certas coisas não estão incluídas no all inclusive. Vi também alguns funcionários a engatar meninas, o que me pareceu muito pouco profissional, mas já não me surpreendeu. O olhar de alguns deles metia-me algum nojo, devo dizer, como se comessem com os olhos.

Além disto, as bebidas neste bar eram igualmente servidas em copos de plástico, o que não traduz nenhuma lógica nem nobreza. 


Rececionistas : de que adianta falarem italiano, francês e alemão , se nenhuma delas domina sequer o espanhol e nem arranha no português ?


Espreguiçadeiras e guarda-sol : uma luta na qual não entrei mas que pude observar pela varanda do quarto nos dias que fiquei enclausurada é que as pessoas reservam o guarda-sol e espreguiçadeiras antes do pequeno almoço ( 7 da manhã), e o hotel não tem simplesmente guarda-sóis suficientes, o que faz com que não haja sombra para todos. Também me surpreendeu não haver toalhas emprestadas.


Barulho: prepare-se para ouvir música de crianças repetidamente todos os dias. O barulho só para às 23:45. Para quem está saudável já é chato, agora imagine para quem está doente e precise mesmo de descansar.


Piscina: não me admira se apanhar infeções na piscina, pois ouvi crianças dizerem que fizeram chichi nas mesmas e que não há reagentes químicos. Baratas também são companhia na área da piscina e os funcionários do bar da piscina são igualmente um desprazer.


Quarto: você pode ser all inclusive, mas não espere chinelos de quarto, nem sabão de banho a ser reposto e nem papel higiénico. Barulho lá de fora só acaba às 23:45.

Cofres: estranho um hotel tão moderno não ter cofres fechados por código digital e apenas por chave , com custo de 8,90€ por dia, como se alguém gostasse de ir à praia com uma chave que abre o cofre onde supostamente se guardam os pertences mais importantes e sob os quais ninguém se responsabiliza.

Limpeza: fraca e sem substituições básicas.

Chaleira no quarto: apenas mediante pagamento de 10€ por dia.


Comidas: além de água a saber a piscina e comida mal cozinhada que nos deu uma intoxicação, tenho ainda a dizer que não há sabores frescos e refrescantes, os sumos e gelatinas são ultra açucarados, a comida é crua e cheia de caldos e molhos, as sobremesas são literalmente aqueles pacotes de supermercado que são pó para misturar a água e é a isso que sabem, é para parecer mais bonito colocam chantilly em cima. As baguetes de pão ajudam a sobreviver, e se possível traga maçãs do bar da pizza, única coisa que o ajudará em caso de doença a voltar a casa.



🤮 Se você não quer ficar as suas férias a contar os cantos do tecto do seu quarto enquanto ouve Soco, Bate, Vira todos os dias, faça um favor a si mesmo e troque já de hotel!!!!!!!!! 


Escusam de nos fazer de burros e dizer que fizeram o vosso melhor, quando claramente não o fizeram.

Escusam de me contrariar por comentário a esta crítica, pois a minha verdade está toda aqui.

Escusam de me desacreditar mais uma vez, tenham vergonha na cara e assumam que se estão a cagar para os vossos hóspedes e pelo seu bem-estar.

Só desejo a este staff que sintam um dia tudo aquilo que nos fizeram a nós sentir. 


Ninguém falar português em Espanha é também lamentável, em Portugal todos fazem esforço por vos compreender. Não posso achar normal ter sido eu a tentar comunicar convosco na vossa língua , em vez de ter sentido algum esforço do vosso lado para falarem comigo na minha língua. 


Desejo que este crítica ajude a que alguém evite viver este inferno neste hotel ! 

( 👍 👍 👍 faça like neste comentário se sentiu sintomas de intoxicação!)


Xau xau bacalhau 

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